Património

2026-08-21

Escavações em Estremoz podem revelar uma villa mais antiga

Muros encontrados em Santa Vitória do Ameixial apontam para duas fases de ocupação e podem recuar a história do sítio até ao século I

As escavações arqueológicas realizadas este verão na Villa Romana de Santa Vitória do Ameixial, no concelho de Estremoz, estão a trazer novos dados sobre um dos mais importantes vestígios romanos do Alentejo.

A campanha, coordenada por André Carneiro, professor do Departamento de História da Universidade de Évora, identificou estruturas que podem alterar a interpretação que até agora existia sobre a história do local.

A principal surpresa surgiu nos muros encontrados na zona mais elevada da villa. Os arqueólogos identificaram duas fases distintas de ocupação, com uma estrutura claramente construída sobre outra.

Até agora, Santa Vitória do Ameixial era sobretudo associada a uma grande residência de prestígio datada dos séculos III e IV. Os novos vestígios levantam, porém, a possibilidade de existir uma construção bastante anterior.

“Poderemos estar perante uma casa mais antiga, talvez do século I d.C., que mais tarde é reformulada para se construir um novo ambiente doméstico”, explica André Carneiro.

A campanha permitiu ainda encontrar um pavimento e muros em bom estado de conservação, além de um fragmento arquitetónico de época paleocristã. Segundo o investigador, trata-se de um período para o qual não tinha sido identificada anteriormente qualquer evidência no local.

Os trabalhos em Santa Vitória do Ameixial são particularmente relevantes porque o sítio, classificado como Monumento Nacional, não era alvo de escavações documentadas desde 1916.

A nova investigação procura assim não apenas recuperar estruturas, mas reconstruir a evolução do espaço ao longo dos séculos.

A campanha contou com a participação de estudantes da Universidade de Évora, que tiveram também contacto com tarefas de registo arqueológico e organização da informação.

Para André Carneiro, o trabalho não deve ser visto de forma isolada. A Universidade de Évora participa igualmente na Carta Arqueológica de Estremoz, permitindo enquadrar a villa no território envolvente e perceber melhor a ocupação humana da região.

As escavações fazem parte de um novo ciclo de investigação previsto para os próximos quatro anos, que deverá incluir trabalhos de escavação, conservação, restauro e valorização do sítio arqueológico.

Enquanto a investigação continua, Santa Vitória do Ameixial começa a revelar uma história mais complexa do que aquela que durante décadas se conhecia: por baixo da villa romana que chegou até aos nossos dias poderá existir uma construção com quase dois mil anos.

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