Muito antes das modernas cubas de inox e das sofisticadas tecnologias de produção, o vinho já fermentava dentro de grandes recipientes de barro.
A tradição chegou ao Alentejo com os romanos e, ao longo dos séculos, nunca deixou verdadeiramente de existir. Ainda hoje há casas e adegas alentejanas onde as talhas continuam a fazer parte da produção de vinho.
E há agora uma novidade: a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana decidiu permitir a certificação do Vinho de Talha produzido em qualquer sub-região do Alentejo, depois de definir novos critérios para este método ancestral.
A mesma decisão criou ainda as designações “Vinhas Velhas”, para vinhas com pelo menos 35 anos, e “Vinhas Centenárias”, para vinhas com registo anterior a 1931.
Ou seja: no Alentejo, há vinho que se faz com tecnologia moderna, mas também há vinho que continua a guardar dentro de uma talha de barro uma tradição com mais de dois milénios de história.
Uma tradição romana que o tempo não conseguiu apagar.