Património

2026-09-22

Rede Saber Fazer pode dar novo impulso ao Tapete de Arraiolos

Nova rede nacional anunciada pelo Governo pretende apoiar artesãos, formação, certificação e comercialização. Em Arraiolos, onde resistem cerca de uma centena de bordadeiras, o programa pode representar uma oportunidade para garantir a continuidade de um saber-fazer que luta há anos pelo reconhecimento da sua origem.

A criação da Rede Portuguesa Saber Fazer, anunciada pelo Governo, pode assumir particular importância para o futuro do Tapete de Arraiolos, uma das mais reconhecidas expressões do artesanato tradicional português.

A nova rede pretende dar continuidade, de forma permanente, ao trabalho desenvolvido desde 2020 através do Programa Saber Fazer, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), criando uma estrutura que permita reunir artesãos, municípios, CCDR, instituições de ensino e investigação e entidades culturais.

Para Arraiolos, onde o fabrico do tapete constitui uma tradição profundamente ligada à identidade do concelho, esta nova política pública surge num momento particularmente importante.

Um saber-fazer que precisa de continuidade

O número de pessoas que mantém viva a tradição do Tapete de Arraiolos tem vindo a diminuir e resistem atualmente cerca de 100 bordadeiras.

É neste contexto que a aposta anunciada pelo Governo na formação, na transmissão de conhecimentos às novas gerações, na certificação e na criação de canais de comercialização pode assumir especial relevância.

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, sublinhou precisamente a necessidade de garantir a transmissão dos saberes tradicionais e de valorizar os artesãos e artesãs.

O objetivo passa por aproximar estes ofícios das escolas, desenvolver serviços educativos e criar condições para que produtos profundamente ligados aos territórios e às comunidades possam ganhar maior reconhecimento, tanto em Portugal como internacionalmente.

No caso do Tapete de Arraiolos, essa ligação ao território é particularmente evidente.

A produção tradicional está associada a um conjunto específico de conhecimentos, técnicas e práticas transmitidas ao longo de gerações, que o concelho procura preservar e valorizar.

Depois de anos de luta pela proteção da origem

A criação da Rede Saber Fazer acontece também depois de anos de reivindicação de Arraiolos pela proteção e certificação do seu tapete.

O município tem defendido a necessidade de proteger a designação “Tapete de Arraiolos” e de garantir que a produção certificada esteja devidamente associada à sua origem e às características tradicionais que distinguem este produto.

Esse processo teve recentemente um desfecho importante com a certificação do Tapete de Arraiolos, uma conquista que o município vinha procurando há vários anos.

Mas a batalha pela valorização do património de Arraiolos não termina aí.

O município entregou também à Comissão Nacional da UNESCO o processo de candidatura do “Processo de Confeção do Tapete de Arraiolos” à inscrição na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A candidatura procura valorizar não apenas o tapete enquanto produto, mas sobretudo os conhecimentos, técnicas e práticas associados ao seu processo de confeção e à sua transmissão entre gerações.

O que pode mudar com a Rede Saber Fazer?

É precisamente aqui que a nova rede anunciada pelo Governo pode ganhar importância para Arraiolos.

A futura estrutura deverá permitir concentrar numa mesma rede artesãos, municípios, instituições de ensino, investigação e entidades culturais, criando condições para desenvolver políticas públicas dirigidas aos diferentes ofícios tradicionais.

A ministra destacou ainda a aposta na formação profissional, certificação, comercialização e internacionalização.

Para um território como Arraiolos, estas áreas podem ser determinantes para garantir que o reconhecimento do Tapete não fique apenas associado ao património histórico, mas tenha também reflexos na atividade económica e na capacidade de atrair novas gerações para o ofício.

Outro dos desafios passa precisamente por aproximar os mais jovens do artesanato.

A transmissão do conhecimento torna-se particularmente importante numa atividade em que grande parte das técnicas continua a depender da aprendizagem direta e da experiência acumulada das bordadeiras.

Uma oportunidade para o futuro

A Rede Portuguesa Saber Fazer deverá abrir inscrições em outubro e passar a disponibilizar avisos para apoio financeiro às entidades que integrem a estrutura.

Os apoios poderão abranger diferentes áreas, desde a formação e certificação à promoção, comercialização, internacionalização, feiras e exposições.

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