A criação da Rede Portuguesa Saber Fazer, anunciada pelo Governo, pode assumir particular importância para o futuro do Tapete de Arraiolos, uma das mais reconhecidas expressões do artesanato tradicional português.
A nova rede pretende dar continuidade, de forma permanente, ao trabalho desenvolvido desde 2020 através do Programa Saber Fazer, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), criando uma estrutura que permita reunir artesãos, municípios, CCDR, instituições de ensino e investigação e entidades culturais.
Para Arraiolos, onde o fabrico do tapete constitui uma tradição profundamente ligada à identidade do concelho, esta nova política pública surge num momento particularmente importante.
Um saber-fazer que precisa de continuidadeO número de pessoas que mantém viva a tradição do Tapete de Arraiolos tem vindo a diminuir e resistem atualmente cerca de 100 bordadeiras.
É neste contexto que a aposta anunciada pelo Governo na formação, na transmissão de conhecimentos às novas gerações, na certificação e na criação de canais de comercialização pode assumir especial relevância.
A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, sublinhou precisamente a necessidade de garantir a transmissão dos saberes tradicionais e de valorizar os artesãos e artesãs.
O objetivo passa por aproximar estes ofícios das escolas, desenvolver serviços educativos e criar condições para que produtos profundamente ligados aos territórios e às comunidades possam ganhar maior reconhecimento, tanto em Portugal como internacionalmente.
No caso do Tapete de Arraiolos, essa ligação ao território é particularmente evidente.
A produção tradicional está associada a um conjunto específico de conhecimentos, técnicas e práticas transmitidas ao longo de gerações, que o concelho procura preservar e valorizar.
Depois de anos de luta pela proteção da origemA criação da Rede Saber Fazer acontece também depois de anos de reivindicação de Arraiolos pela proteção e certificação do seu tapete.
O município tem defendido a necessidade de proteger a designação “Tapete de Arraiolos” e de garantir que a produção certificada esteja devidamente associada à sua origem e às características tradicionais que distinguem este produto.
Esse processo teve recentemente um desfecho importante com a certificação do Tapete de Arraiolos, uma conquista que o município vinha procurando há vários anos.
Mas a batalha pela valorização do património de Arraiolos não termina aí.
O município entregou também à Comissão Nacional da UNESCO o processo de candidatura do “Processo de Confeção do Tapete de Arraiolos” à inscrição na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.
A candidatura procura valorizar não apenas o tapete enquanto produto, mas sobretudo os conhecimentos, técnicas e práticas associados ao seu processo de confeção e à sua transmissão entre gerações.
O que pode mudar com a Rede Saber Fazer?É precisamente aqui que a nova rede anunciada pelo Governo pode ganhar importância para Arraiolos.
A futura estrutura deverá permitir concentrar numa mesma rede artesãos, municípios, instituições de ensino, investigação e entidades culturais, criando condições para desenvolver políticas públicas dirigidas aos diferentes ofícios tradicionais.
A ministra destacou ainda a aposta na formação profissional, certificação, comercialização e internacionalização.
Para um território como Arraiolos, estas áreas podem ser determinantes para garantir que o reconhecimento do Tapete não fique apenas associado ao património histórico, mas tenha também reflexos na atividade económica e na capacidade de atrair novas gerações para o ofício.
Outro dos desafios passa precisamente por aproximar os mais jovens do artesanato.
A transmissão do conhecimento torna-se particularmente importante numa atividade em que grande parte das técnicas continua a depender da aprendizagem direta e da experiência acumulada das bordadeiras.
Uma oportunidade para o futuroA Rede Portuguesa Saber Fazer deverá abrir inscrições em outubro e passar a disponibilizar avisos para apoio financeiro às entidades que integrem a estrutura.
Os apoios poderão abranger diferentes áreas, desde a formação e certificação à promoção, comercialização, internacionalização, feiras e exposições.