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2025-11-17

Como Francisco transformou uma corrida escolar numa história de superação

Fez esta madrugada uma belíssima estreia nos Jogos Surdolímpicos. O jovem de Elvas, que treina em Évora, garantiu o oitavo lugar nos exigentes 10.000 metros. Francisco Laranjeira mostrou coragem, consistência e um ritmo de enorme maturidade competitiva. Excelente prestação na sua primeira presença em Jogos Surdolímpicos, sublinhada com o respetivo diploma.

Mas quem este atleta - licenciado em Sociologia pela Universidade de Évora - que, após a prova desta madrugada, deixou claro estar apenas no início de uma grande caminhada.

Foi em Elvas, durante um simples corta-mato escolar, que Francisco Laranjeira, então com 12 anos, descobriu a paixão que viria a marcar a sua vida. A cidade-raiz, onde deu as primeiras passadas, tornou-se também o ponto de partida de uma trajetória desportiva feita de persistência, quedas duras e regressos ainda mais firmes.

Começou em Elvas, por brincadeira, como o próprio já explicou, mas cedo percebeu que correr era aquilo que o fazia sentir livre. Desde então nada o cansa.

A prova dessa resistência surgiu de forma mais evidente após 2022 — o ano que quase o afastou definitivamente das pistas. Um acidente impediu-o de competir nos Jogos Surdolímpicos, no Brasil, a maior oportunidade da carreira. “Senti-me impotente, sem chão”, admitiu numa recente entrevista. Mas quem o conhece sabe que desistir nunca fez parte do seu vocabulário.

Seguiram-se meses de fisioterapia intensa e um trabalho emocional profundo. Teve de aceitar o impasse e focar-se na recuperação. Estes obstáculos mostraram-lhe que é resiliente e persistente. Um ano depois, já estava de novo no pódio, simbolicamente levando consigo o orgulho da cidade onde tudo começou.

Com apenas 30% de audição, Francisco encontrou no desporto uma forma de se afirmar num percurso que nem sempre foi fácil. “Houve comentários que me fizeram sentir inferior. A adaptação às próteses auditivas também foi complicada”, recordou. Mas foi junto da família e dos amigos, que encontrou o apoio essencial para ganhar confiança. “Todos somos diferentes, mas iguais, com as nossas características especiais.”

Entre estudos e treinos bi-diários foi mantendo rotinas exigentes: massagens, alimentação rigorosa e disciplina de descanso. No horizonte, tem como referências Carlos Lopes, Mo Farah e Jakob Ingebrigtsen — mas admite que a maior força vem de casa: A família, o treinador, amigos e colegas de treino são a sua motivação.”

Francisco Laranjeira representa atualmente o Grupo Desportivo Diana, de Évora, e compete pela Universidade de Évora no campeonato universitário.

 

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