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2026-08-30

Estremoz lembra antigo autarca nos 100 anos de elevação a cidade

É diante deste busto, no centro de Estremoz, que será depositada este domingo uma coroa de flores. A cerimónia assinala os 100 anos da elevação de Estremoz a cidade, mas o local escolhido para iniciar as comemorações leva-nos até uma figura que marcou profundamente a vida do concelho: José Lourenço Marques Crespo.

Médico, autarca, jornalista, escritor e dinamizador de instituições sociais e culturais, Marques Crespo nasceu a 31 de janeiro de 1872, no Monte do Gamito, na freguesia de Nossa Senhora dos Mártires, no concelho do Crato. Fixou-se posteriormente em Estremoz, onde desenvolveu grande parte da sua vida profissional e cívica.

Foi médico no concelho, tendo desenvolvido atividade clínica em associações de socorros mútuos e no Hospital da Misericórdia. Mas a sua intervenção não se ficou pela medicina.

Na vida política local, desempenhou funções de Administrador do Concelho de Estremoz em 1910 e 1913 e, em 1923, foi eleito presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Estremoz. Permaneceu à frente dos destinos municipais até ao golpe militar de 28 de maio de 1926.

Era, portanto, presidente da Câmara naquele ano particularmente importante para a história de Estremoz. A 31 de agosto de 1926, por decreto-lei n.º 12.227, a então vila foi elevada à categoria de cidade.

A sua ligação à vida pública de Estremoz não terminou, contudo, na política.

Em 1931 fundou o jornal Brados do Alentejo, publicação que viria a dirigir durante cerca de duas décadas. O próprio jornal continua hoje a identificar José Lourenço Marques Crespo como seu fundador.

Também na área social deixou uma marca importante. Foi fundador da Delegação de Estremoz da Cruz Vermelha Portuguesa, onde exerceu funções de chefe dos serviços clínicos. Participou ainda na comissão fundadora do Teatro Bernardim Ribeiro e foi presidente honorário do Orfeão Tomaz Alcaide.

Marques Crespo dedicou-se igualmente à escrita. Entre os trabalhos que publicou encontram-se O Alentejo na Fundação e Restauração: Canal ou Ameixial?, de 1941, e Estremoz e o seu termo “regional”, de 1950.

Morreu em Estremoz, na freguesia de Santo André, a 11 de janeiro de 1955. Décadas depois, a cidade decidiu perpetuar a sua memória através de um monumento.

A proposta surgiu em 1959, quando um grupo de habitantes de Estremoz apresentou à Câmara a ideia de erguer um pequeno monumento encimado pelo busto de Marques Crespo. O monumento viria a ser instalado na Mata Municipal em 1963.

Em dezembro de 1974, já depois do 25 de Abril, o busto foi transferido da Mata Municipal para o local onde permanece atualmente, no topo da Rua 5 de Outubro. Em 1981, José Lourenço Marques Crespo foi ainda distinguido, a título póstumo, como cidadão honorário de Estremoz.

É esse mesmo monumento que, 100 anos depois da transformação de Estremoz em cidade, volta a estar no centro das comemorações.

As comemorações do centenário realizam-se este domingo, 30 de agosto, a partir das 21 horas. A primeira cerimónia decorrerá precisamente na Rua 5 de Outubro, junto ao busto de José Lourenço Marques Crespo.

Será depositada uma coroa de flores, acompanhada pela interpretação do Hino de Estremoz pela Banda da Sociedade Filarmónica Artística Estremocense. Seguir-se-á uma arruada até aos Paços do Concelho.

A partir das 21h30, nos Paços do Concelho, está previsto o descerramento da placa comemorativa dos 100 anos da elevação a cidade e a assinatura do Livro de Honra.

O programa inclui ainda um momento musical pelo Orfeão de Estremoz “Tomaz Alcaide”, discursos institucionais, a homenagem às entidades centenárias do concelho e a apresentação do vídeo do centenário.

A noite termina com a interpretação do Hino Nacional pela Banda da Sociedade Filarmónica Artística Estremocense e um espetáculo de fogo de artifício. A cerimónia será presidida pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.

Mas, antes de se falar dos discursos, da placa comemorativa ou do fogo de artifício, Estremoz começa a noite junto de um homem que dedicou grande parte da sua vida à cidade. Um homem que morreu há 71 anos e cujo nome continua gravado na história.

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