Há 252 anos, o homem mais poderoso de Portugal fechava uma das páginas mais negras da História do país.
A 1 de outubro de 1774, durante o reinado de D. José I, o Marquês de Pombal determinou o fim formal da Inquisição em Portugal, num processo que retirou ao Santo Ofício o caráter de tribunal independente.
A decisão inseria-se num conjunto de profundas reformas promovidas por Sebastião José de Carvalho e Melo, que procurava reforçar a autoridade do Estado e reduzir o poder de instituições que considerava obstáculos à modernização do reino.
A Inquisição tinha sido introduzida em Portugal no século XVI, durante o reinado de D. João III, e durante mais de dois séculos perseguiu e julgou pessoas acusadas de heresia, apostasia e outras práticas consideradas contrárias à fé católica. Entre os principais alvos estiveram os chamados cristãos-novos, muitos deles descendentes de judeus convertidos ao cristianismo.
Com a reforma pombalina, o Santo Ofício perdeu progressivamente a autonomia e os privilégios que tinha mantido durante séculos. A Inquisição acabaria por ser definitivamente extinta em 1821, já no contexto da Revolução Liberal.
O Marquês de Pombal permanece, por isso, como uma das figuras mais marcantes — e também mais controversas — da História portuguesa. Foi responsável por profundas transformações no Estado, na economia, na educação e na sociedade, mas o seu período de poder ficou igualmente marcado pelo autoritarismo e pela repressão política.
? 1 de outubro de 1774 — uma data que assinala uma mudança profunda na História de Portugal.

