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2025-11-21

Lagares que “recebem tudo” facilitam furtos de azeitona. O alerta é da GNR

 O alerta foi deixado pelo cabo José Alfaiate, do destacamento da GNR de Reguengos de Monsaraz esta manhã no Alandroal. Afinal, como se deve proteger a colheita perante o fenómeno de furtos de azeitona que percorre o Alentejo? Fomos ouvir a sessão de esclarecimento.

Ponto relevante: Há lagares no Alentejo que estão a receber toda a azeitona que lhes chega à porta, sem verificarem a proveniência da mercadoria, e esse comportamento está a contribuir para a proliferação de furtos na região. José Alfaiate admite que este tipo de atuação “ajuda, direta ou indiretamente, à prática do crime”.

Segundo as autoridades, os furtos de azeitona tendem a intensificar-se sempre que existe pouco controlo no transporte do produto. “Grande parte das pessoas que fazem a apanha não está coletada e, nesses casos, ou transportam a produção com guias fornecidas pelo proprietário, ou, simplesmente, não apresentam documentação”, explica. E sem esse documento, torna-se praticamente impossível comprovar a origem do que é entregue nos lagares.

O problema agrava-se nos lagares privados que operam sem regras apertadas e que aceitam toda a produção que chega, ao contrário das cooperativas, como as do Alandroal ou São Pedro do Corval, que apenas recebem azeitona dos seus sócios. “Há lagares que só funcionam por quantidade: quanto mais recebem, mais ganham. E isso abre espaço para que a azeitona furtada entre no circuito sem controlo”, acrescenta José Alfaiate.

Nos últimos anos já foram realizadas operações de fiscalização que resultaram na deteção de irregularidades, nomeadamente falta de documentação e incumprimento das normas de receção. A atuação das forças de segurança tem-se centrado na verificação das guias de transporte, consideradas essenciais para confirmar a origem da colheita. “A azeitona não é rotulada. Sem guia, não há forma de saber de quem é”, sublinha.

As autoridades recomendam também maior vigilância por parte dos proprietários. Situações como equipas de apanha que permanecem nos terrenos muito para além do prazo combinado devem ser encaradas como sinal de alerta. “Se alguém se compromete a colher durante três dias e continua lá dez, alguma coisa não está bem. O proprietário tem de acompanhar e, se houver alterações de datas, emitir novo documento”, exemplifica.

Apesar de este ano a situação ainda não apresentar a gravidade registada em campanhas anteriores, as autoridades admitem que a maior quantidade de azeitona disponível pode aumentar o risco de furtos nas próximas semanas. “Esperamos que se mantenha sob controlo, mas continua a ser fundamental que proprietários, lagares e forças de segurança atuem de forma articulada.”

 

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