Durante a audição parlamentar, a propósito das sanções impostas à Rússia e da posição portuguesa perante a guerra, Paulo Rangel considerou fundamental fazer uma distinção clara entre o regime russo e o povo russo. “Portugal não está contra a Rússia. Portugal está contra o regime russo”, afirmou o ministro.
Paulo Rangel defendeu que esta distinção deve ser particularmente clara, rejeitando qualquer ideia de hostilidade generalizada em relação à Rússia. “Nós temos que ser muito cuidadosos no sentido de dizer que uma coisa é o povo russo, é o Estado russo, é a população russa”, sublinhou.
Rangel rejeita “cancelamento” da cultura russaO ministro criticou também decisões tomadas por alguns Estados europeus que, na sequência da invasão da Ucrânia, chegaram a cancelar ou suspender iniciativas relacionadas com a cultura russa.
Paulo Rangel deu como exemplos espetáculos relacionados com ballet russo, literatura russa e grandes compositores russos. “Nós somos absolutamente contra isto. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, afirmou.
Para o ministro, a condenação das ações do atual poder político russo não deve ser confundida com uma rejeição da cultura ou da população daquele país.
Rangel classificou o regime russo como “altamente ditatorial” e acusou-o de violar o direito internacional, sublinhando que existem atividades ofensivas atribuídas à Rússia que estão “largamente documentadas”.
Ao mesmo tempo, defendeu que Portugal deve manter uma visão de futuro relativamente às relações com a população russa.
“Aquilo que é o povo russo, que está contra o qual queremos no futuro, um dia que eles possam ser ultrapassados, queremos ter as melhores relações”, afirmou.
“Não há nenhuma hostilidade à Rússia”As declarações surgiram num contexto de discussão sobre as sanções aplicadas à Rússia e sobre a possibilidade de aumentar a pressão sobre o regime de Vladimir Putin.
Paulo Rangel defendeu que Portugal deve continuar a distinguir entre a condenação do regime e a relação com o país e o seu povo.
“Não há nenhuma hostilidade à Rússia. Há claramente uma condenação do atual regime russo.”
Para o ministro, esta distinção é essencial para evitar que a oposição às políticas do Kremlin seja confundida com uma posição de hostilidade contra a Rússia enquanto povo, Estado ou património cultural.