Notícias

2026-09-11

11 de setembro: dois desconhecidos, 81.º andar e uma fuga impossível

Às 9h03 de 11 de setembro de 2001, o voo 175 da United Airlines atingiu a Torre Sul do World Trade Center. O avião atravessou vários pisos, atingindo precisamente a zona onde trabalhavam Brian Clark, no 84.º andar, e Stanley Praimnath, no 81.º.

Praimnath estava ao telefone com uma colega em Chicago, que tinha acompanhado pela televisão o ataque à Torre Norte e lhe pedia que saísse do edifício. Ele ainda dizia que estava bem quando viu, pela janela, o avião a dirigir-se diretamente para ele. Atirou-se para debaixo da secretária.

O impacto destruiu o escritório. Paredes, teto, cabos e mobiliário caíram. Praimnath ficou soterrado e ferido, numa zona envolvida pelo fumo e pelas chamas. Começou a rastejar à procura de uma saída.

A decisão que mudou tudo

Três pisos acima, Brian Clark era responsável pela segurança contra incêndios no seu andar. Pegou numa lanterna e começou a conduzir um grupo de colegas em direção às escadas.

Chegaram ao 81.º andar. Ali encontraram uma mulher que vinha de baixo e lhes disse que não deveriam continuar a descer: havia fumo e fogo e, segundo ela, a única hipótese seria subir. Alguns decidiram subir. Foi então que Clark ouviu uma voz no meio da escuridão: “Help! Help! I can't breathe!” Era Stanley Praimnath. Clark decidiu ir procurá-lo.

Clark avançou pelo piso destruído, iluminando o caminho com a lanterna. Praimnath, preso atrás de uma parede de placas de gesso, ouviu-o e começou a orientar o desconhecido: “Bata na parede. Eu sei onde está.”

Clark encontrou finalmente uma abertura e viu a mão de Praimnath. Havia ainda uma parede entre os dois. Clark conseguiu alcançar Praimnath e puxou-o por cima da divisória, fazendo com que ambos caíssem no chão. Foi a primeira vez que se viram.

Praimnath, aliviado por estar vivo, abraçou-o. Os dois apresentaram-se e, naquele momento, fizeram uma espécie de pacto: seriam irmãos para a vida.

E então fizeram a escolha certa

O mais impressionante vem a seguir. Os homens voltaram para a Stairwell A, uma das três escadas da Torre Sul. A maioria das pessoas que estava com Clark decidiu subir, convencida de que poderia encontrar segurança nos pisos superiores ou no telhado. Clark e Praimnath fizeram exatamente o contrário. Desceram.

A Stairwell A continuava transitável desde os pisos superiores até ao átrio, embora estivesse escura, cheia de fumo e com condições extremamente difíceis.

Foram descendo, degrau após degrau. Segundo o relato mais recente dos dois, percorreram cerca de 1.620 degraus até conseguirem sair do edifício.

Quando finalmente chegaram à rua, agentes da polícia e equipas de emergência mandaram-nos correr. Os dois afastaram-se do edifício e procuraram abrigo.

Pouco depois, às 9h59, a Torre Sul começou a colapsar. A nuvem de poeira e detritos percorreu as ruas de Lower Manhattan. Eles tinham conseguido sair minutos antes.

E há uma ironia terrível nesta história: muitos dos colegas que estavam com Clark na escada escolheram subir. Não sobreviveram ao colapso.

O que aconteceu depois

Quando se separaram no caos da rua, Praimnath entregou a Clark um cartão com o seu número de telefone. Mais tarde, Clark telefonou-lhe.

Desde aquele dia, os dois nunca mais deixaram de se considerar irmãos. Clark chegou a apresentar Praimnath à família como o seu “blood brother” — irmão de sangue. Continuaram amigos durante os 25 anos seguintes, partilhando casamentos, famílias e acontecimentos importantes das suas vidas.

E existe uma frase de Brian Clark que resume extraordinariamente bem a história: ele acredita que talvez não tenha sido apenas ele a salvar Stanley; talvez o grito de Stanley também tenha sido aquilo que salvou Brian.

Artigos Relacionados

« Voltar