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2023-09-12

300 anos depois a Senhora do Mileu chega ao figurado de Estremoz

As obras de arte que vemos nas mãos de Alexandre Correia traduzem uma inovação na barrística de Estremoz, com a chancela de Património Mundial. A saber, terá sido a primeira vez que os artesãos que fazem os bonecos de barro produziram imagens de Nossa Senhora do Mileu, que reúne grande devoção em Veiros. Sobretudo, por estes dias em que a freguesia celebra as festas em honra da sua Padroeira. Quer saber onde pode visitar ambas as peças?
 
TEXTO l Roberto Dores
 
   Respondemos já. Estão à janela da casa de Alexandre Correia, cuja fachada exibe o mais tradicional branco e o contraste do rodapé em azul. Situa-se a escassos passos do Santuário da Senhora do Mileu. As imagens têm sido alvo de uma espécie de «romaria» desde que quinta-feira foram colocadas em «exposição». Podemos dizer assim.

«Tem havido uma grande curiosidade das pessoas de Veiros, que são devotas da Senhora do Mileu, em visitar as imagens e já várias pessoas demonstraram interesse em adquirir uma peça», relata Alexandre Correia, coleccionador de arte e investigador, que assume o cargo de grão-mestre fundador da Confraria do Boneco de Estremoz.

   Mas o que levou Alexandre Correia a desafiar dois artesãos de Estremoz a produzirem a imagem da Senhora do Mileu? Há cerca de um ano instalou-se em Veiros e ainda não conhecia a Santa. Viria a perceber com o tempo a devoção que merecia dos populares. 

   Perante a aproximação das festas, o coleccionador quis homenageá-la de uma forma diferente. «Em vez de colocar uma colcha na janela, pensei nestas duas imagens», diz, admitindo que acabou por estar a contribuir para enriquecer o figurado estremocense. 

   Eis a razão. «É curioso que apesar da história dos Bonecos de Estremoz ter mais de 300 anos, de Veiros estar apenas a 13 quilómetros de Estremoz e tendo a produção de bonecos começado pela vertente religiosa, ainda ninguém tinha feito a Senhora do Mileu», sublinha, revelando orgulho pelo resultado final transmitido pelas mãos de Fátima Estróia e Ricardo Fonseca. 

Alexandre Correia sublinha que a homenagem à Senhora do Mileu também visa agradecer a forma como a população de Veiros o recebeu há cerca de um ano.

   Curiosamente, a mais antiga e o mais jovem artesão de Estremoz. «Eles conheciam a imagem, mas nunca a tinham feito», enfatiza Alexandre Correia, admitindo estar aberta mais uma via para aumentar a colecção de peças religiosas  do figurado. «É importante lançar novas temáticas e novas abordagens para se chegar a novos públicos. Para mim, também é uma forma de agradecer a Veiros como fui recebido por esta população».

   As Festas em Honra de Nossa Senhora do Mileu terminam esta terça-feira.

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