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2026-08-10

600 javalis abatidos por ano não travam avanço na Arrábida

O aumento da população de javalis está a provocar cada vez mais problemas em zonas habitadas da Arrábida. Os animais deixaram de aparecer apenas durante a noite e já chegam às praias, aproximando-se das toalhas dos banhistas.

Quem frequenta as praias da Arrábida está agora obrigado a partilhar o espaço com varas de javalis. Nos anos anteriores, os animais raramente atravessavam as dunas da praia do Portinho antes do anoitecer. Este verão, porém, a realidade mudou: os javalis aparecem a qualquer hora e aproximam-se cada vez mais das pessoas.

A partir do Parque Natural da Arrábida, os animais descem também até às zonas urbanas de Setúbal, onde provocam estragos em jardins e espalham o lixo deixado junto aos contentores, à procura de alimento.

A Câmara Municipal de Setúbal diz ter recebido várias queixas e responsabiliza o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) pela gestão da situação.

A vice-presidente da autarquia, Maria do Carmo Tiago, considera que esta é uma matéria da “exclusiva competência” do ICNF.

Mas o diretor regional do ICNF de Lisboa e Vale do Tejo, Carlos Albuquerque, entende que a responsabilidade pode variar consoante a situação. Se os animais forem portadores de doenças, a intervenção poderá caber à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Já quando os javalis provocam estragos ou mexem no lixo, o problema deverá ser tratado pela autarquia ou pela Proteção Civil.

O crescimento da população de javalis tem sido registado em várias zonas do país e não é um fenómeno exclusivo de Portugal. A ausência de predadores naturais e a facilidade de encontrar alimento junto das zonas urbanas contribuem para a expansão da espécie.

ICNF não autoriza abates nas praias

Os javalis regressaram à serra da Arrábida há mais de uma década. Só na região são abatidos anualmente entre 400 e 600 animais, numa tentativa de controlar uma espécie cuja população tem vindo a aumentar.

Até este ano, o ICNF autorizava o abate de javalis nas praias antes do início da época balnear. Este ano, contudo, não foram autorizados esses abates nas zonas balneares, numa decisão que deixa as autoridades perante um problema cada vez mais visível: javalis a circular junto de banhistas e a entrar em zonas habitadas.

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