Na madrugada de 14 de agosto de 1995, Jorge Lota, pastor, estava deitado junto ao seu rebanho, nos arredores de Ferreira do Alentejo. Pouco depois das duas da manhã, algo interrompeu o silêncio dos campos.
Primeiro, ouviu um zunido. Depois, percebeu que não conseguia mexer-se. Quando levantou os olhos, deparou-se, segundo o seu relato, com um objeto no céu, de formato semelhante a um “charuto acabaçado”, envolto numa luz azul.
Mas não estava sozinho naquela aparição.
Perto do chão, duas luzes alaranjadas deslocavam-se rapidamente pelos campos, provocando agitação entre as cabras. Jorge Lota conseguiu pegar na espingarda e tentou chegar à carrinha. Foi então que surgiu outro detalhe estranho: apesar de rodar repetidamente a chave, o motor não pegava.
Sem saber o que estava a acontecer, decidiu abandonar o local a pé. Correu cerca de um quilómetro até ao monte mais próximo, onde outras pessoas terão também observado uma pequena luz a atravessar rapidamente os campos antes de desaparecer.
Quase três horas depois, já perto das cinco da manhã, Jorge Lota voltou para junto do rebanho. E, de acordo com o seu testemunho, o episódio ainda não tinha terminado.
O objeto voltou a aparecer, desta vez aparentemente suspenso junto à subestação elétrica da região. Permaneceu ali durante alguns instantes até que, subitamente, ganhou velocidade e desapareceu no horizonte.
O que aconteceu naquela madrugada?
Um fenómeno atmosférico? Algum tipo de aeronave? Uma interpretação errada provocada pela escuridão e pelo medo? Ou algo para o qual, ainda hoje, não existe uma explicação convincente?
Para além de pastor, Jorge Lota era conhecido na região por outra atividade que exerceu durante mais de quatro décadas: era “endireita”.
No seu monte, recebia pessoas vindas de vários pontos do país, e até de Espanha, que procuravam os seus conhecimentos para tratar problemas físicos. “Não é qualquer um que pode fazer isto. Mexer no corpo de uma pessoa é algo muito delicado e de grande responsabilidade. Não se ensina nem se explica; ou se tem aptidão ou não se tem”, dizia habitualmente o “dr. Jorge”, como era conhecido, numa entrevista ao site A.ruralidades.
E, apesar dos anos, não pensava em abandonar a atividade. “Como posso deixar esta prática, se aqui vêm pessoas de todo o País? Até espanhóis cá aparecem?”, questionava.
Jorge Lota morreu em 2019, deixando para trás a memória de um homem conhecido no Alentejo pela vida de pastor, pela sua atividade como “endireita” e, para muitos, também por aquela estranha madrugada de agosto de 1995.