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2026-08-20

Acampamento na praia de Ceuta acabou ou apenas mudou de lugar?

O cenário que durante semanas marcou a paisagem de Ceuta começou esta quinta-feira a desaparecer.

A praia do Trampolín, transformada num enorme acampamento improvisado na sequência da entrada massiva de migrantes na cidade autónoma no final de julho, foi finalmente desocupada. Ao longo da manhã, centenas de pessoas abandonaram o local a pé, acompanhadas pela Polícia, rumo aos novos espaços temporários de acolhimento instalados em Loma Margarita e Loma Colmenar.

As imagens são impressionantes: longas filas de pessoas carregadas com os poucos pertences que conseguiram transportar, caminhando pelas estradas de Ceuta sob acompanhamento policial.

Durante semanas, o Trampolín tornou-se uma espécie de cidade improvisada junto ao mar. Havia tendas, pequenas estruturas construídas pelos próprios ocupantes, pontos de distribuição de alimentos e até um espaço identificado como mesquita. Segundo dados divulgados pelo El Faro de Ceuta, chegaram a ser distribuídas cerca de 4.000 refeições diariamente, embora o número exato de pessoas que permaneciam no local variasse constantemente.

Agora, o Governo central garante ter criado 1.800 lugares temporários de acolhimento, sobretudo em Loma Margarita e Loma Colmenar, onde os migrantes passaram a dispor de camas, instalações sanitárias, alimentação, água e assistência.

Mas a história está longe de terminar.

Poucas horas depois do desmantelamento, centenas de migrantes começaram a regressar ao Trampolín. A situação obrigou mesmo à suspensão temporária dos trabalhos de limpeza e desinfeção da praia, quando cerca de 500 pessoas voltaram ao local.

É precisamente aqui que surge a grande questão para Ceuta: o Trampolín acabou ou apenas mudou de endereço?

O presidente da cidade autónoma, Juan Vivas, já avisou que retirar as pessoas da praia e colocá-las noutros pontos da cidade não significa resolver o problema migratório.

O Governo central, por seu lado, apresenta a operação como uma resposta humanitária e temporária. A ministra da Inclusão, Elma Saiz, classificou a criação dos novos espaços como um exemplo da capacidade de coordenação das instituições e garantiu que serão criados mais lugares à medida que os restantes espaços forem preparados.

Assim termina, pelo menos oficialmente, o capítulo do Trampolín.

Mas ficam as imagens de uma praia transformada durante semanas num enorme assentamento improvisado e, sobretudo, uma dúvida que permanece no ar: quando milhares de pessoas continuam na cidade e os espaços de acolhimento são apenas temporários, onde estará o próximo Trampolín?

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