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2022-08-09

Alentejo ainda é um paraíso para lontras. Mesmo em tempo de seca

 
O Alentejo ainda se apresenta como um «paraíso» para as lontras na Europa, apesar de período de seca que tem castigado a região. Os biólogos estão atentos ao evoluir da espécie que precisa de linhas de águas para sobreviver, mas que já foi mais consensual entre os humanos. Por detrás daquele ar brincalhão e simpático, esconde-se um inteligente devorador de peixe, que lança frequentes ataques a produções de aquacultura. Os proprietários começaram a retaliar

 
   Enquanto a poluição contribuiu para devastar comunidades inteiras por diversos países do «velho continente», sobretudo entre as décadas de 60 e 70, a lutra lutra (a lontra europeia) manteve-se estável pelo Alentejo, embora não seja nada fácil avistá-la. 

   Ainda não há estudos que permitam avaliar com algum rigor o número de lontras existentes por cá, mas os biólogos identificaram indícios da presença deste animal em praticamente toda a região através de dejectos ou pegadas.

   Uma boa notícia mesmo em tempo de seca, já que reside aqui uma prova inequívoca de que o Alentejo ainda consegue ter linhas de água com alguma qualidade, de Évora a Ourique, passando por Beja e Santiago do Cacém, segundo um estudo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

   De acordo com este levantamento, foram encontrados habitats que não estão degradados e que viabilizam a existência da lontra, apesar de se tratar de uma espécie que até se adapta a alguma degradação. A maior ameaça para a lutra lutra são os esgotos domésticos, os efluentes de fábricas de concentrado de tomate, lagares de azeite, pesticidas e explorações mineiras. 

   Factores com efeitos directos sobre a lontra, contribuindo para a perda do pêlo, fisiologia de reprodução e alteração ao nível da cadeia alimentar, sendo a sua dieta essencialmente à base de peixe, embora também coma anfíbios e invertebrados.

   E é ainda por causa da alimentação que a lontra passou a encontrar no homem um dos seus principais inimigos, com a perseguição por parte de pescadores proprietários de explorações aquícolas.

   Há mais de  dez anos que o chamado Plano Sectorial da Rede Natura 2000 sugeria várias pistas visando a manutenção da lontra nas zonas húmidas portuguesas, aconselhando mesmo que no caso de ataques regulares do animal a pisciculturas, os proprietários deveriam recorrer à implementação de dispositivos dissuasores, apostando em redes eléctricas, sinais sonoros ou presença de cães.

   Uma espécie de investimento ambiental, que evite o abate, captura e envenenamento da lutra lutra. A preservação deste animal poderá ainda passar pela restrição de agro-químicos, mas também pela monitorização do estado ecológico dos cursos de água, principalmente em zonas onde predomina a cultura do arroz, ou locais afectados pela escorrência de águas provenientes de explorações mineiras. 
 

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