António Costa voltou a ver recusado o acesso ao processo da Operação Influencer, no qual está identificado como suspeito da prática de um crime de prevaricação. Esta é, segundo o Expresso, a sexta vez que o pedido do antigo primeiro-ministro é rejeitado.
O processo deixou de estar sujeito a segredo de justiça interno em março de 2026, mas António Costa continua sem poder consultar os autos. A procuradora responsável pelo inquérito, Rita Madeira, sustenta que Costa não tem a qualidade de arguido, assistente ou ofendido, sendo considerado apenas «suspeito», razão pela qual não lhe reconhece o direito de consultar o conteúdo da investigação, segundo acrescenta ainda o Expresso.
A investigação esteve inicialmente sujeita a segredo de justiça total entre abril de 2024 e março deste ano. Desde então, o segredo passou a ser apenas externo, permitindo o acesso aos autos aos intervenientes processuais com legitimidade para tal.
Na contestação apresentada pela defesa, António Costa considera que não necessita de ser «protegido» de uma investigação que lhe diz diretamente respeito e classifica a recusa de acesso como um «atentado ao Estado de direito». A defesa argumenta ainda que o Ministério Público contribuiu para a exposição pública do antigo primeiro-ministro quando, em novembro de 2023, divulgou as suspeitas que recaíam sobre ele.
António Costa já tinha afirmado publicamente, em abril deste ano, que desconhecia o conteúdo do processo e que, apesar de ter solicitado várias vezes o acesso aos autos, continuava sem o conseguir consultar. Na altura, afirmou: «Ao contrário dos senhores [jornalistas] nunca tive acesso.»
A investigação relacionada com António Costa decorre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e está relacionada com suspeitas de prevaricação no contexto da Operação Influencer. Costa foi ouvido em 2024 como declarante, e não como arguido.