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2026-08-28

´Bateu-me no carro´. A nova burla já rendeu 72 mil euros

O Alentejo registou cinco burlas através do esquema dos “falsos acidentes” apenas nos primeiros seis meses de 2026, depois de em todo o ano passado ter sido registado apenas um caso na região, no distrito de Évora.

Beja é o distrito alentejano com maior número de ocorrências este ano, somando três casos entre janeiro e junho. Évora e Portalegre registaram uma burla cada.

A nível nacional, a GNR contabilizou 30 denúncias relacionadas com este tipo de esquema durante o primeiro semestre de 2026, um aumento face ao período homólogo do ano passado. As vítimas sofreram um prejuízo acumulado de 72 540 euros, um valor que se aproxima do total registado durante todo o ano de 2025.

O esquema começa, muitas vezes, à saída de parques de estacionamento, sobretudo junto a superfícies comerciais. Os burlões seguem a vítima e recorrem a sinais de luzes ou avisos sonoros para a obrigar a parar.

É nesse momento que tentam convencer o condutor de que provocou um embate. Com uma atitude aparentemente cordial e segura, apontam para riscos ou danos que já existiam no veículo, como espelhos partidos, procurando explorar a boa-fé e o sentimento de culpa da vítima.

Em alguns casos, os suspeitos fazem-se acompanhar por mulheres ou crianças, numa tentativa de transmitir uma falsa sensação de normalidade e confiança.

Depois surge a pressão para resolver rapidamente a situação. Os burlões alegam, por exemplo, que têm pressa ou que pretendem evitar a participação às autoridades e à seguradora, exigindo um pagamento imediato em dinheiro. Há vítimas que chegam a ser acompanhadas até caixas multibanco para levantar o montante exigido.

A burla tem, entretanto, evoluído. Segundo a GNR, há suspeitos que utilizam terminais de pagamento automático portáteis para obter acesso aos dados bancários das vítimas. Ao observarem o código PIN, conseguem trocar o cartão por outro semelhante e realizar posteriormente levantamentos de quantias avultadas.

Os condutores com mais de 60 anos estão entre os principais alvos deste tipo de crime. Os burlões procuram explorar o receio de complicações legais, a pressão do momento e uma eventual menor familiaridade com alguns métodos de pagamento eletrónico.

O que fazer perante uma situação suspeita?

A GNR recomenda que os condutores não façam pagamentos imediatos no local e que protejam sempre os seus dados bancários.

Perante um acidente, ou uma alegada colisão, devem fotografar os veículos e os danos, pedir a documentação da outra parte e comunicar a situação à seguradora. Sempre que possível, deve ser preenchida a declaração amigável.

Perante uma abordagem suspeita ou uma tentativa de burla, a recomendação é contactar de imediato as autoridades e formalizar a denúncia junto da GNR.

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