Centenas de cravos, vermelhos, brancos e cor-de-rosa, foram levados para as ruas de Ceuta numa manifestação que recuperou o simbolismo da Revolução dos Cravos portuguesa. Frente à Delegação do Governo, os manifestantes lançaram as flores como forma de protesto contra aquilo que consideram ser o abandono da cidade pelo Governo espanhol.
A imagem é pouco habitual, mas a inspiração é bem conhecida em Portugal. Dezenas de manifestantes saíram às ruas de Ceuta com centenas de cravos nas mãos e fizeram da flor que se tornou símbolo do 25 de Abril uma arma de protesto pacífico.
Vermelhos, brancos e cor-de-rosa, os cravos acompanharam a concentração na Plaza de los Reyes e acabaram lançados junto à Delegação do Governo, num gesto que os participantes quiseram associar diretamente à Revolução dos Cravos portuguesa.
Perante o edifício, foi recordado em voz alta o que aconteceu em Lisboa na década de 70: a queda do regime do Estado Novo e a transformação política iniciada a 25 de Abril de 1974. A mensagem deixada pelos manifestantes foi clara: se em Lisboa foi possível mudar o rumo de um país, também em Ceuta acreditam que é possível mudar a situação em que a cidade se encontra.
Os participantes dizem sentir-se abandonados pelo Governo espanhol e contestam a resposta dada pelas autoridades à crise migratória que tem afetado Ceuta. Consideram que a cidade tem sido deixada sozinha perante um problema que, defendem, exige uma resposta do Estado.
Os cravos foram, por isso, escolhidos como símbolo de uma luta que os manifestantes garantem querer manter de forma pacífica.
“Estas são as nossas armas”, foi uma das frases ouvidas durante o protesto, numa referência direta às flores utilizadas como símbolo de resistência e mudança.
A concentração surge depois de dias de forte tensão em Ceuta e pretende mostrar, segundo os participantes, que a população começa a ganhar terreno na contestação.
A mensagem é também de continuidade: não vão aceitar aquilo que consideram ser o abandono da cidade e garantem que a luta vai continuar até que Ceuta deixe de estar, nas suas palavras, refém da crise migratória.
Quase 52 anos depois de os cravos terem tomado as ruas de Lisboa, a flor que ficou para sempre ligada à revolução portuguesa atravessou a fronteira e chegou a Ceuta. Desta vez, não nos canos das armas, mas nas mãos de uma população que quis transformar o cravo num símbolo de protesto.
E, perante a Delegação do Governo, a mensagem foi deixada sem recurso a violência: Ceuta também quer a sua mudança.