A tragédia ocorreu durante a manhã desta quarta-feira, no distrito de Rasuwa, depois de o rio Bhote Koshi ter sofrido uma subida repentina. As localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi estão entre as zonas mais atingidas.
As águas avançaram com enorme violência, destruindo habitações e infraestruturas e deixando várias comunidades isoladas. Imagens divulgadas após a cheia mostram carros arrastados pela corrente, casas destruídas e pontes metálicas levadas pela força da água.
Centenas de pessoas desaparecidasO Conselho de Turismo do Nepal colocou 384 pessoas numa lista provisória de desaparecidos ou pessoas com quem não foi possível estabelecer contacto, incluindo 291 estrangeiros. Entre os desaparecidos estão turistas de várias nacionalidades.
O balanço de mortos ainda não é definitivo. As autoridades nepalesas confirmavam inicialmente sete a nove vítimas mortais, enquanto relatos mais recentes apontam para um número superior. A dimensão da tragédia continua, por isso, a ser avaliada.
Também há agentes das forças de segurança entre os desaparecidos. Segundo a Rádio Nepal, 13 elementos da Armed Police Force deixaram de estar contactáveis nas zonas de Timure e Mailung.
Resgates dificultadosO Exército, a polícia e as forças de proteção nepalesas foram mobilizados para as operações de busca e salvamento. Foram disponibilizados 14 helicópteros, mas as condições no terreno e o elevado nível das águas estão a dificultar o acesso às zonas mais afetadas. Pelo menos 25 pessoas tinham sido resgatadas até quarta-feira à tarde, segundo o Exército nepalês.
As autoridades pediram à população que vive junto aos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani para se afastar das margens e procurar zonas mais elevadas, devido ao risco de novas inundações.
Origem da cheia ainda não está esclarecidaAinda não existe uma explicação definitiva para a subida repentina do rio. As autoridades nepalesas admitem a possibilidade de um deslizamento de terras ter bloqueado um curso de água no Tibete, provocando posteriormente uma libertação súbita de água. Também foi apontada a possibilidade de um fenómeno relacionado com um lago glaciar.
A catástrofe também atingiu o lado chinês da fronteira. Na região tibetana de Gyirong, um deslizamento provocou danos em estradas, comunicações e infraestruturas de energia, havendo também vítimas e desaparecidos, embora ainda não exista um balanço definitivo.
A cheia afetou ainda projetos hidroelétricos nepaleses, com cerca de 430 megawatts de capacidade elétrica afetados, mais de 12% da capacidade hidroelétrica instalada no país.
As operações de emergência continuam e as autoridades nepalesas admitem que o número de vítimas poderá aumentar à medida que as equipas consigam chegar às zonas isoladas.