Uma situação curiosa junto à fronteira está a chamar a atenção dos consumidores: há embalagens compradas em Espanha que podem ser devolvidas nas máquinas do sistema Volta em Portugal e dar direito ao reembolso de 10 cêntimos.
Quem atravessa regularmente a fronteira entre Portugal e Espanha poderá encontrar uma situação inesperada quando for devolver garrafas e latas vazias.
Embora Portugal e Espanha estejam a implementar sistemas próprios de depósito e reembolso de embalagens, existem casos em que uma embalagem comprada numa loja espanhola pode ser reconhecida por uma máquina Volta em Portugal.
A situação foi confirmada pela própria SDR Portugal, entidade responsável pelo sistema português, depois de um consumidor ter relatado que comprou garrafas num supermercado em Espanha, sem pagar o depósito português, e posteriormente conseguiu devolvê-las numa máquina Volta em Portugal, recebendo os 10 cêntimos por embalagem.
Como é possível?A explicação está na forma como alguns fabricantes distribuem os seus produtos nos dois países.
Quando uma marca comercializa o mesmo produto em Portugal e Espanha (como atesta a foto de capa), pode utilizar a mesma embalagem, já identificada com o símbolo Volta e com um código de barras reconhecido pelo sistema português.
Nesses casos, uma máquina Volta pode reconhecer a embalagem como elegível, mesmo que esta tenha sido comprada em Espanha e que o consumidor não tenha pago o depósito de 10 cêntimos em Portugal.
A situação, contudo, não significa que qualquer garrafa ou lata comprada do outro lado da fronteira seja aceite.
O sistema português verifica a elegibilidade através do código de barras, cruzando essa informação com uma base de dados que identifica, entre outros elementos, o produto, a marca, o formato, o material e a capacidade da embalagem. Para ser aceite, a embalagem tem também de apresentar o símbolo Volta e cumprir as restantes condições exigidas.
Uma espécie de “ponte” entre os dois mercadosÉ precisamente aqui que a realidade pode ser diferente daquela que muitos consumidores imaginavam.
Os sistemas português e espanhol são nacionais e têm regras próprias. Em Portugal, o SDR funciona desde 10 de abril de 2026 e abrange garrafas e latas de bebidas de plástico, alumínio e metais ferrosos até três litros, identificadas com a marca Volta. O depósito é de 10 cêntimos por embalagem.
Em Espanha, o sistema de depósito, devolução e retorno está a ser implementado com regras próprias. A legislação espanhola estabelece que o depósito será de pelo menos 10 cêntimos por embalagem, sendo o valor definido pelo sistema de responsabilidade dos produtores.
Ainda assim, quando os fabricantes colocam no mercado ibérico produtos com embalagens comuns aos dois países, podem surgir estas situações de reconhecimento transfronteiriço.
A SDR Portugal esclarece que os produtos adquiridos em Espanha com o símbolo Volta e posteriormente devolvidos em Portugal representam atualmente uma parcela residual do mercado nacional, mas admite que estes casos podem ocorrer.
E o contrário?A grande questão que fica para os consumidores portugueses é saber se o mesmo poderá acontecer no sentido inverso, quando o sistema espanhol estiver plenamente operacional.
A resposta dependerá das regras de validação e das bases de dados utilizadas pelo sistema espanhol e, sobretudo, de a embalagem portuguesa ser reconhecida como pertencente ao sistema espanhol.
Ou seja, não existe uma regra geral que transforme automaticamente Portugal e Espanha num único sistema de depósito.
O que existe são situações concretas em que uma mesma embalagem, comercializada nos dois mercados, pode ser reconhecida pelo sistema do país vizinho.
Para quem vive no Alentejo e atravessa frequentemente a fronteira para fazer compras em Espanha, a diferença poderá ser particularmente interessante: uma garrafa comprada em Espanha pode, em determinados casos, acabar por valer 10 cêntimos numa máquina Volta em Portugal.
Mas será a embalagem — e não simplesmente o local onde foi comprada — que determinará se o sistema a aceita.