A situação levou o Colégio de Enfermería de Ceuta a pedir a declaração do estado de alarme, denunciando aquilo que considera ser um “colapso sanitário sem precedentes”.
O problema não se limita, contudo, aos hospitais. Organizações e profissionais que acompanham os migrantes no terreno relatam pessoas doentes, com feridas agravadas e sinais de infeção, muitas vezes depois de vários dias expostas às condições adversas nas ruas.
Entre 31 de julho e 14 de agosto, os serviços de saúde do INGESA registaram 5.801 assistências. A Cruz Vermelha realizou, por sua vez, mais de 2.500 atendimentos na zona da praia do Trampolín.
O número de atendimentos chegou a atingir um pico de 1.149 num único dia, a 31 de julho.
Há ainda uma dificuldade adicional: algumas das pessoas doentes evitam procurar os serviços de saúde por receio de serem identificadas e posteriormente deportadas, ficando dependentes da assistência prestada por organizações e voluntários.
O Governo espanhol, contudo, rejeita a existência de um colapso hospitalar. A ministra da Saúde, Mónica García, garante que a pressão sobre o hospital de Ceuta diminuiu desde o pico registado no final de julho e que continuam disponíveis cerca de metade das camas.
A crise está assim a desenrolar-se sobretudo fora das paredes do hospital, nas ruas e nos locais onde permanecem milhares de migrantes, num contexto de elevada pressão sobre os serviços de saúde e de assistência.
A situação continua a ser acompanhada pelas autoridades e organizações que prestam apoio no terreno.
FOTO | Reduan Dris | El Pueblo de Ceuta