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2025-11-06

Esta é Kariba. A «elefanta» que vai voar 3 mil quilómetros até à liberdade no Alentejo

A história de Kariba começa longe de Portugal. Ainda juvenil, foi retirada da natureza no Zimbabué, em 1985. Desde então, passou quase quatro décadas em diferentes zoológicos europeus. O Alentejo aguarda-a. É entre Alandroal e Vila Viçosa que vai ter o seu novo lar. A viagem da Bélgica a Portugal custa cem mil euros.

Nos últimos dez anos viveu no Parque Pakawi, na Bélgica, ao lado da sua companheira Jenny. Quando Jenny morreu, em 2022, Kariba ficou sozinha. Uma condição particularmente difícil para um animal altamente sociável.

Em julho, a organização Pangea contactou a GAIA para avaliar o bem-estar de Kariba. O pedido deu origem a um diálogo construtivo com a direção do Parque Pakawi, que acabou por resultar numa decisão inédita: a libertação da elefanta.

“Esta decisão demonstra coragem e compaixão, enviando um sinal forte — na Bélgica e em toda a Europa — de que o bem-estar animal pode realmente vir em primeiro lugar”, sublinha a GAIA.

 

Uma nova vida no Alentejo

 

Em breve, Kariba terá uma segunda oportunidade. A elefanta deverá integrar o santuário Pangea, no Alentejo (entre Alandroal e Vila Viçosa), o primeiro espaço europeu concebido para acolher elefantes em grande escala, onde Kariba poderá viver os seus últimos anos em liberdade, espaço e tranquilidade.


O projeto junta várias organizações internacionais, entre elas a Born Free, a World Animal Protection, a Fundação Brigitte Bardot e a Olsen Animal Trust.

A GAIA, que acompanha de perto todo o processo, participa também na angariação de fundos que permitirá garantir o transporte e os cuidados vitalícios de Kariba em Portugal.

 

Uma viagem de três mil quilómetros

 

A operação de transferência está prevista para o início de 2026 e exigirá uma complexa logística. Está orçada em cem mil euros.

Transportar um elefante por três mil quilómetros implica meses de preparação: exames médicos, uma caixa de transporte especialmente concebida, coordenação internacional e acompanhamento veterinário permanente.

“A transferência de Kariba marca um ponto de viragem. Mostra que o diálogo e a cooperação podem gerar mudanças reais”, refere a associação.

 

Um símbolo de esperança

 

Quando Kariba der os primeiros passos sob o sol do Alentejo, a sua história representará mais do que uma libertação pessoal. Será o símbolo de uma nova visão sobre o futuro dos animais em cativeiro e da capacidade humana para corrigir erros do passado.

“Juntos, podemos fazer da história de Kariba uma fonte de esperança — para ela, para todos os elefantes em cativeiro e para um mundo onde cada animal importa”, conclui a GAIA.

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