Segundo o jornal El País, a investigação esteve praticamente parada durante mais de cinco anos, até que, em junho de 2025, um funcionário municipal encontrou um crânio dentro de um saco de plástico, escondido numa zona da urbanização de Pinos de Alhaurín.
Na altura, as autoridades desconheciam a identidade da vítima. Só em 2026 foi possível confirmar, através de exames forenses, que os restos mortais pertenciam a Francisco José Agüera, desaparecido desde abril de 2020, quando tinha 59 anos.
O desaparecimento tinha sido participado pela família, mas, por se tratar de um adulto e não existirem indícios de crime, o caso foi considerado de baixa prioridade, admitindo-se que pudesse ter desaparecido por vontade própria.
A descoberta do crânio permitiu reabrir a investigação. Os militares da Guardia Civil voltaram a ouvir familiares, amigos e conhecidos da vítima, até chegarem a um homem que começou a levantar suspeitas por viver perto do local onde os restos mortais foram encontrados.
No primeiro interrogatório, o suspeito negou qualquer envolvimento e chegou a afirmar: "Não fui eu. Não têm nada contra mim. Sei que não podem provar porque tenho muito tempo livre e vejo CSI e muitas outras séries policiais."
A referência parecia apenas uma tentativa de demonstrar confiança. No entanto, à medida que a investigação avançava e surgiam novas provas, aquela declaração acabaria por ganhar outro significado.
Confrontado novamente pelos investigadores, o homem acabou por confessar o homicídio e revelou que se tinha inspirado na série "Dexter", cujo protagonista é um assassino em série que procura eliminar todos os vestígios dos seus crimes.
Segundo o próprio, envolveu o local em plástico antes de desmembrar o corpo da vítima ao longo de vários dias. Depois, colocou cada parte do cadáver em vários sacos de plástico, juntamente com as luvas de látex utilizadas, distribuindo posteriormente os embrulhos por diferentes pontos de Pinos de Alhaurín.
Na altura, a brigada de homicídios realizou buscas na zona, com o apoio de cães, mas não encontrou qualquer vestígio do corpo, o que dificultou a investigação durante vários anos.
Só com os avanços tecnológicos e a identificação dos restos mortais foi possível estabelecer a ligação entre o suspeito e o crime. Perante as provas recolhidas pela Guardia Civil, o homem confessou o homicídio e alegou ter agido durante uma discussão, acusando a vítima de o ter roubado.
Se vier a ser condenado, o caso ficará marcado como um dos mais invulgares investigados nos últimos anos em Málaga, não só pelo longo período em que permaneceu sem solução, mas também pela forma como o suspeito admitiu ter procurado reproduzir métodos vistos numa série de televisão.