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2024-01-27

Janeiro com cheiro a Abril no Mercado de Estremoz. «Ai que cravos tão lindos»

«Gosto muito de cravos, mas em Janeiro acho que nunca tinha visto. Isto será porquê?», questionava uma das mulheres entre um grupo de quatro que este sábado passeavam pelo Mercado de Estremoz, quando, de repente um dos cabeçudos lhes ofereceu o maior símbolo da liberdade

TEXTO | Roberto Dores
 
   A conversa decorria em frente ao edifício da Câmara, onde o grupo de amigas concordava que os cravos se apresentavam «tão bonitos», que só podiam «ser de estufa». Mais. «E cheiram mesmo a cravo, que grande surpresa. Ai que cravos tão lindos. Não nos tira uma fotografia?», sugerem-nos. «Tiro pois». É a que está na capa desta reportagem.

 
    Outras largas dezenas de cravos foram sendo distribuídas pela manhã a comerciantes e clientes do célebre «Mercado de Sábado», assinalando o arranque oficial das comemorações dos «50 anos em Liberdade: Comemorações do 50.° aniversário da Revolução de Abril», que terá cerca de 40 actividades ao longo do ano.  

   Voltemos à distribuição dos cravos que animou a manhã estremocense. «Eu quero um. Não me dá outro para a minha neta. Viva a liberdade», gritava um dos vendedores de queijos e enchidos para os três cabeçudos que seguiam à frente da arruada ao som dos tambores dos Gigabombos perante um Mercado cheio de gente. O normal, de resto, sobretudo perante uma manhã que se apresentou primaveril, ao estilo de Abril, como que a ajudar à festa.   


   Escutemos o chefe da Divisão de Desenvolvimento Sociocultural, Desportivo e Educativo na Câmara de Estremoz, Hugo Guerreiro, sobre o impacto de trazer cravos para a rua no pico do Inverno. «É uma acção bonita vermos a Associação do Imaginário a distribuir cravos pelas pessoas, que estão contentes por levarem um bocadinho deste símbolo maior da liberdade portuguesa», sublinhou Hugo Guerreiro. 

   O mesmo responsável adjectivou mesmo o cravo como sendo «mais uma marca de Portugal no Mundo», recordando como foi exportado para vários pontos do globo como símbolo de liberdade, depois de ser erguido em Abril de 74. 

   Já este sábado à noite as comemorações do meio século da revolução prosseguem em Estremoz à boleia do concerto de Jorge Palma no Teatro Bernadim Ribeiro, que está esgotado há três semanas.

   «O programa é vasto», registou Hugo Guerreiro, alertando que já há actividades a decorrer, onde se inscreve a exposição «O Legado de um Cravo», que veio do Museu do Aljube, dirigido pela estremocense Rita Rato, a par da colecção do «Neo-realismo».

   Para todos os meses se anunciam actividades, com concertos, conferências ou exposições. «Vamos trazer personalidades que tiveram uma intervenção relevante na política nacional. Serão pessoas de todos os quadrantes políticos para nos falarem da sua acção e da acção do seu partido para o estabelecimento da democracia», resumiu o representante do Município

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