Após o discurso, questionado pelos jornalistas sobre quem seriam essas pessoas, o ministro recusou identificar os visados, embora tenha admitido que conhece quem estará por detrás das críticas e deixado a possibilidade de existirem consequências judiciais. “Há atos e haverá consequências”, afirmou.
Luís Neves dirigiu também um desafio ao líder do Chega, André Ventura, garantindo que estará disponível para responder às questões do partido na audição parlamentar marcada para 8 de setembro.
“No próximo dia 8 [de setembro] terei audição no Parlamento. Quero dizer a André Ventura que estarei totalmente disponível para responder a qualquer dúvida”, afirmou, deixando claro que não equaciona abandonar o cargo.
Durante a intervenção, o ministro abordou ainda a polémica relacionada com bens apreendidos pela Polícia Judiciária no âmbito de processos de tráfico de droga. Entre os bens estão televisores, sofás e equipamentos de ginásio, que foram posteriormente considerados de “utilidade operacional” para a instituição.
Luís Neves referiu o caso de um homem que descreveu como suspeito de ser “um dos maiores traficantes de droga em Portugal”, numa referência a Ruben Oliveira, conhecido como “Xuxas”. O processo está relacionado com a apreensão de vários bens, incluindo um automóvel que é atualmente utilizado pelo ministro e que lhe foi cedido pela Polícia Judiciária.
“Criem-me outra vez”, afirmou Luís Neves, antes de questionar: “Haverá castigo mais adequado para quem comete crimes que o património possa ser atingido? Não. Não há.”
O governante defendeu que bens apreendidos no âmbito de processos criminais podem ser utilizados pelas forças de segurança para melhorar as suas condições de trabalho e preparação. “Foi isso que fiz. Cumpri a lei, apliquei a lei”, declarou.
Luís Neves recordou ainda que a legislação que permite às forças policiais utilizar determinadas viaturas apreendidas existe desde 2007 e afirmou ter feito o reporte de cerca de 800 automóveis.
“Parece que alguém agora está do lado de quem cometeu crimes. Porventura que fiquem com o património”, afirmou.
“Sem provas não há acusação, há difamação”O ministro rejeitou igualmente qualquer atuação baseada em acusações sem fundamento, assegurando que as investigações que conduziu enquanto responsável da Polícia Judiciária tiveram sempre por base provas.
“Investiguei, senhores magistrados aqui presentes, como sabem, sempre com provas. Sem provas não há acusação, há difamação”, afirmou.
Luís Neves criticou depois aquilo que classificou como uma “política da suspeita permanente”, acusando os seus adversários de lançarem acusações graves que, segundo disse, continuam a ser repetidas mesmo quando não são demonstradas.
“Há quem condene adversários sem provas. É a diferença entre o Estado de direito e a política da suspeita permanente”, declarou.
Segundo o ministro, trata-se de uma estratégia destinada a criar “um caos que dá jeito”, através da repetição de suspeitas e acusações. Quando uma delas perde força, afirmou, “lança-se uma outra”.
Perante a pressão política e os pedidos de demissão que têm sido feitos pelo Chega, Luís Neves garantiu que não se sente intimidado.
“A mim não me intimidam, jamais me intimidarão. Nada disto me intimida ou condiciona, não me vai impedir de governar”, afirmou.
O ministro considerou ainda que os seus conhecimentos e experiência no combate ao crime são reconhecidos e que os ataques de que diz estar a ser alvo resultam da incapacidade dos seus críticos para contestarem o seu trabalho.
“Escolheram a única estratégia que conhecem: lançar suspeitas, atacar a honra e tentar intimidar”, concluiu.