Luís Montenegro voltou esta quarta-feira a manifestar confiança em Luís Neves, numa altura em que aumentam as críticas e os pedidos de afastamento do ministro da Administração Interna. E fê-lo ao lado do próprio governante, durante uma visita ao Aeroporto de Lisboa.
A presença conjunta acabou por assumir também um significado político. Questionado pelos jornalistas sobre as polémicas que envolvem Luís Neves e sobre se a visita representava um novo voto de confiança, o primeiro-ministro foi taxativo: “Nem é novo, nem é velho, é o único possível.”
Montenegro garantiu que o ministro da Administração Interna está a fazer um trabalho de “elevadíssima qualidade e competência” nas áreas sob a sua responsabilidade, afastando assim qualquer hipótese de cedência à pressão para a sua saída do Governo.
A posição do primeiro-ministro surge depois de o presidente do Chega insistir que Luís Neves não tem condições para continuar no cargo e defender a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.
André Ventura considera que a sucessão de casos está a contribuir para a degradação da vida pública e das instituições, defendendo que cabe ao primeiro-ministro travar essa situação através do afastamento do ministro.
“O Primeiro-Ministro tem que tomar uma decisão e essa decisão, neste momento, passa pelo afastamento de Luís Neves do Governo, porque se tornou num ativo de degradação, num ativo tóxico e num ativo de descredibilização do próprio sistema democrático”, afirmou.