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2026-08-12

Médica de Ceuta denuncia: “Estão a chegar casos de violações ao hospital”

Guadalupe Sánchez, médica em Ceuta, descreve uma cidade “sem normalidade”, com centenas de urgências por dia, profissionais exaustos e casos de alegadas agressões sexuais. Entre as vítimas estarão menores.

“Estão a chegar violações ao hospital, feridos por arma branca e confrontos.” A frase é de Guadalupe Sánchez, médica em Ceuta, numa entrevista à televisão espanhola Antena 3, onde decidiu dar voz à pressão que, segundo relata, está a ser vivida diariamente na cidade após a entrada massiva de migrantes no final de julho.

A médica fala de um cenário de enorme pressão sobre os serviços de saúde. Segundo o seu testemunho, entre quinta-feira, sexta-feira e sábado terão sido registadas cerca de 4.000 urgências, número que admite poder estar abaixo da realidade. Atualmente, afirma, chegam a ser atendidas 300 a 400 urgências por dia, com apenas três médicos disponíveis.

“Há pessoas que nem comem, nem dormem”, relata, acrescentando que alguns profissionais fizeram turnos de 24 horas e permaneceram posteriormente ao serviço.

Mas é quando aborda a segurança que o testemunho ganha particular gravidade.

Guadalupe Sánchez afirma que ao hospital estão a chegar pessoas feridas com armas brancas e refere também casos de agressões sexuais. O seu relato surge numa altura em que as autoridades espanholas já confirmaram a existência de várias denúncias de agressão sexual envolvendo menores migrantes em Ceuta. A Polícia Nacional confirmou seis denúncias apresentadas por menores de idade.

Segundo a imprensa espanhola, inicialmente foram identificados quatro casos de menores migrantes atendidas por alegadas agressões sexuais, tendo posteriormente o número de denúncias aumentado para seis. Algumas das vítimas terão relatado tentativas de violação e outras apresentavam sinais compatíveis com agressão sexual.

A situação já chegou aos tribunais. Esta quarta-feira, a justiça de Ceuta confirmou a investigação de três alegadas agressões sexuais ocorridas depois da entrada massiva de migrantes na cidade. Dois suspeitos foram colocados em prisão preventiva por alegadas agressões sexuais contra menores.

“Aqui não há normalidade”

Na entrevista à Antena 3, Guadalupe Sánchez rejeita a ideia de que Ceuta tenha regressado à normalidade. “Quando dizem que há normalidade, aqui não há normalidade”, afirma. A médica diz que os habitantes estão “mal psicologicamente” e denuncia também o medo sentido por comerciantes e pela população, além da pressão económica e social.

“Temos medo de sair”, afirma, defendendo uma intervenção mais forte das autoridades espanholas. A médica critica ainda a ausência, segundo o seu relato, de um protocolo claro para os profissionais e para a população e deixa um apelo direto ao Governo espanhol: “Que o nosso Governo dê a cara, que venha e nos ajude.”

O testemunho de Guadalupe Sánchez junta-se assim a um quadro que já está a ser acompanhado pelas autoridades judiciais e policiais espanholas. Os casos de alegadas agressões sexuais contra menores estão sob investigação, enquanto os serviços públicos de Ceuta continuam a enfrentar uma pressão excecional na sequência da crise migratória que marcou a cidade no final de julho

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