Num contributo conjunto entregue no âmbito da consulta pública, as organizações destacam um dado que consideram preocupante: 188 das 406 medidas previstas não têm definida a área ou extensão onde serão aplicadas.
Também não foram disponibilizadas, segundo as associações, as fontes de financiamento discriminadas para cada uma das medidas.
GEOTA, FAPAS, LPN, Quercus, SPEA, WWF Portugal, Sciaena, Palombar e AEPGA reconhecem a importância do plano e do trabalho técnico desenvolvido, mas defendem que faltam ainda decisões concretas, responsabilidades definidas, calendários e resultados que possam ser avaliados.
As organizações alertam ainda para o risco de medidas de estudo, planeamento ou simples gestão corrente serem contabilizadas como ações de restauro da natureza.
Uma plantação florestal, uma prática agrícola apoiada ou uma intervenção após um incêndio, por exemplo, não devem ser automaticamente consideradas medidas de restauro, defendem as associações. Para isso, terá de ser demonstrada uma melhoria efetiva dos ecossistemas face à situação inicial.
As críticas estendem-se a vários setores.
Nos rios e planícies aluviais, são apontadas falhas nos inventários e na informação disponível sobre barreiras, espécies e condições dos ecossistemas.
Nas florestas, as organizações defendem que continua a faltar uma cartografia nacional das áreas degradadas e uma definição clara sobre o que pode ser considerado restauro.
Na agricultura, alertam para o risco de contabilizar como restauro medidas já financiadas ou práticas que não demonstrem benefícios ecológicos adicionais.
Também nas cidades defendem que não basta criar ou requalificar espaços verdes, sendo necessário estabelecer critérios que permitam avaliar o verdadeiro impacto das intervenções.
No mar, as associações sublinham que, das 27 medidas previstas, apenas duas são classificadas como restauro direto, defendendo metas mais ambiciosas e uma maior passagem da produção de informação para a ação no terreno.
As nove organizações pedem, por isso, um plano com metas claras, responsabilidades definidas, financiamento identificado e resultados que possam ser medidos, para garantir que o restauro da natureza não fique apenas no papel.