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2026-09-03

Oliveira é o coração do memorial às vítimas do Elevador da Glória

Um ano depois do acidente que matou 16 pessoas e feriu outras 24, Lisboa assinala esta quinta-feira o primeiro aniversário da tragédia do Elevador da Glória com a inauguração de um memorial dedicado às vítimas.

TEXTO | Roberto Dores

FOTO | Tiago Figueiras | CML

O memorial está instalado no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, num espaço situado entre a própria Calçada da Glória e a Travessa do Fala-Só. A cerimónia de inauguração agendada para as 9.00 horas, terá acesso reservado, sem presença de jornalistas.

O espaço foi concebido pela Câmara Municipal de Lisboa como um lugar de homenagem, memória e reflexão coletiva. No centro está uma oliveira adulta com cerca de 150 anos, rodeada por 16 blocos de calcário, correspondentes ao número de vítimas mortais do acidente.

A disposição dos elementos pretende criar um espaço de recolhimento e contemplação, mantendo também uma ligação simbólica ao próprio nome do Largo da Oliveirinha.

A tragédia aconteceu ao final da tarde de 3 de setembro de 2025. O Elevador da Glória descarrilou durante a descida da Calçada da Glória, provocando 16 mortos e 24 feridos, de 15 nacionalidades. Entre os mortos estavam cinco portugueses, incluindo o guarda-freio André Marques e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Um ano depois, continuam muitas perguntas

A inauguração do memorial acontece num momento em que ainda decorrem as investigações ao acidente e os processos de indemnização das vítimas.

A investigação técnica ainda não está concluída e o processo criminal continua em curso. As conclusões definitivas deverão ajudar a esclarecer as circunstâncias que levaram ao rompimento do cabo e ao descarrilamento da composição.

Também os processos de indemnização continuam longe de estar concluídos. Segundo informação divulgada pela seguradora da Carris, a Fidelidade, foram já assumidos cerca de 2,3 milhões de euros em despesas relacionadas com o acidente. Até ao final de agosto, tinham sido concluídos acordos de indemnização com quatro famílias de vítimas mortais, enquanto outros processos permaneciam em negociação ou em diferentes fases judiciais.

No caso dos 24 feridos, ainda não foi possível determinar definitivamente as indemnizações, uma vez que a avaliação depende da estabilização clínica das vítimas.

Na véspera do primeiro aniversário, familiares e vítimas divulgaram uma carta aberta onde reclamam maior comunicação, transparência, apoio e responsabilização. Algumas das pessoas afetadas afirmam ter tido pouco contacto com as autoridades ao longo deste ano.

A Câmara de Lisboa, por seu lado, mantém que tem acompanhado as vítimas e familiares e que presta apoio social, humano e logístico.

Um lugar para não esquecer

A partir de hoje, o Largo da Oliveirinha passa a ter uma marca permanente da tragédia que, há um ano, abalou Lisboa e teve repercussões muito para além da cidade.

Os 16 blocos de pedra, colocados em redor da oliveira, representam cada uma das pessoas que perdeu a vida naquele final de tarde.

Um ano depois, enquanto continuam as investigações, os processos de indemnização e as discussões sobre as responsabilidades pelo acidente, Lisboa cria assim um espaço destinado a preservar a memória das vítimas.

O memorial fica junto ao local onde o histórico Elevador da Glória deixou de ser apenas um símbolo da cidade para passar a estar associado a uma das maiores tragédias ocorridas em Lisboa nas últimas décadas.

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