Centenas de migrantes tentaram entrar à força no recinto de acolhimento de Loma Colmenar. Polícia Nacional realizou cargas e efetuou disparos dissuasores para travar a avalancha.
A manhã desta segunda-feira ficou marcada por novos momentos de forte tensão em Ceuta, onde a Polícia Nacional espanhola teve de efetuar disparos dissuasores para o ar para impedir a entrada em massa de migrantes no recinto de acolhimento de Loma Colmenar.
Centenas de migrantes que permaneciam acampados no exterior do recinto tentaram entrar de forma massiva depois de algumas pessoas terem conseguido aceder ao interior. A situação rapidamente evoluiu para uma avalancha, com empurrões e confrontos, obrigando a Polícia Nacional a reforçar o dispositivo no local.
Os agentes realizaram cargas de contenção e disparos para o ar, com o objetivo de travar o avanço dos grupos e recuperar o controlo da situação. A intervenção policial obrigou também a condicionar a circulação na zona, junto ao Hospital Universitário de Ceuta.
O episódio acontece depois de centenas de migrantes terem sido transferidos da praia do Trampolín para Loma Colmenar, onde foram instaladas estruturas temporárias de acolhimento. Contudo, parte das pessoas permanece no exterior, à espera de conseguir lugar.
Segundo a imprensa espanhola, o espaço de acolhimento já tinha atingido a sua capacidade, deixando muitos dos migrantes que aguardavam no exterior sem possibilidade de entrar. A tensão foi aumentando entre aqueles que passaram a noite no local à espera de uma vaga.
O incidente desta segunda-feira é mais um episódio de tensão numa cidade que continua a enfrentar uma grave crise migratória, iniciada com a entrada massiva de migrantes no final de julho.
A ministra espanhola da Juventude e Infância, Sira Rego, revelou hoje que foram identificados 1.478 menores migrantes em Ceuta na sequência da entrada massiva de 30 de julho, apelando a uma resposta conjunta para aliviar a pressão sobre os serviços de proteção da cidade.
Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, rejeitou esta segunda-feira qualquer responsabilidade das autoridades marroquinas na entrada massiva de migrantes. Em entrevista à Cadena SER, afirmou que não existe informação dos serviços de segurança ou de inteligência espanhóis que aponte para uma participação de Marrocos na crise.
Em Ceuta, porém, a tensão permanece nas ruas. E esta manhã chegou ao ponto de a Polícia Nacional recorrer novamente a disparos para o ar para impedir que a situação em Loma Colmenar saísse de controlo.