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2026-08-08

Quando há momentos em que o cansaço pouco importa

Já passava das 11 da manhã, depois de uma noite inteira de trabalho, quando os moradores da Rua de São João saíram para cantar. A voz já acusava o esforço, mas o sorriso denunciava a felicidade.

Durante meses, trabalharam em silêncio. Papel a papel, flor a flor, foram dando forma às ruas que agora recebem milhares de visitantes. Vanda Carrilho conta que, depois de terminada a decoração, chega finalmente o momento de sair à rua e conhecer o trabalho dos vizinhos. “Estou rouca e muito cansada, mas 11 anos sem festas é muito.”

É difícil resumir numa frase o que significam onze anos de espera para uma comunidade que vive estas festas de uma forma tão particular. Quando as portas se abriram e as ruas apareceram finalmente cobertas de flores, houve lágrimas, abraços e aplausos.

Campo Maior voltou a ser aquilo que os campomaiorenses guardaram durante onze anos na memória: uma terra transformada pelas mãos da sua própria gente.

O Presidente da República, António José Seguro, não escondeu a emoção e deixou uma mensagem sobre aquilo que considera ser um exemplo para o país. “O vosso trabalho é invisível durante meses, mas torna-se inesquecível quando as ruas florescem e recebem milhares de visitantes. Portugal precisa deste espírito. Portugal precisa de comunidades que acreditem em si próprias, que trabalham juntas e que mostram que a cooperação e a entreajuda é sempre mais forte que os egoísmos e os divisionismos”, enfatizou.

E há quem venha de longe para assistir a este momento.  Joana Ballester veio de Cáceres. É a segunda vez que visita as Festas do Povo e, apesar do calor, com temperaturas próximas dos 40 graus, garante que "a viagem valeu a pena".

Já tinha estado em Campo Maior há cerca de duas décadas. Mas aquilo que encontrou agora surpreendeu-a. "As ruas, as cores, os detalhes e a dimensão da festa são uma realidade que nunca imaginei. É outra dimensão", referiu.

É também este o poder das Festas do Povo: surpreender quem chega e emocionar quem espera por elas há onze anos. Até 16 de agosto, Campo Maior volta a ser uma terra de flores.

Mas, por detrás de cada rua engalanada, há meses de trabalho, muitas mãos e uma história feita de comunidade.

 

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