O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) explicou que, apesar da diligência colocada na investigação, não será possível concluir o relatório até 3 de setembro, data em que se assinala um ano sobre o acidente.
A investigação procura esclarecer, entre outros aspetos, o comportamento e as características do cabo e da sua fixação à carruagem, o funcionamento dos sistemas de travagem e as condições de aderência dos travões aos carris e às rodas.
Estão a ser realizados ensaios físicos e químicos aos materiais do cabo, bem como testes aos sistemas de travagem das duas carruagens envolvidas no acidente. O ascensor do Lavra, que é semelhante ao da Glória, está também a ser utilizado como modelo funcional para ajudar na análise dos sistemas.
Segundo o GPIAAF, a investigação tornou-se particularmente complexa porque os ascensores da Glória e do Lavra são equipamentos únicos, não existindo outros veículos semelhantes no mundo, e existe documentação técnica limitada sobre as suas características. Por esse motivo, está a ser necessário recorrer a engenharia reversa e a ensaios adicionais.
O âmbito das perícias foi entretanto alargado. Além dos estudos inicialmente previstos, está a ser analisado o circuito elétrico dos ascensores e foram incluídos outros parâmetros relacionados com o sistema de travagem e com a própria via.
A investigação não se limita, contudo, aos componentes técnicos. O GPIAAF está também a aprofundar fatores humanos e organizacionais, procedimentos e práticas de manutenção e o enquadramento legal da operação.
A previsão atual é que os ensaios e perícias técnicas estejam concluídos até ao final de novembro. Depois dessa fase, os investigadores terão de analisar os resultados e elaborar o projeto de relatório final, que será posteriormente sujeito à audição das entidades envolvidas. A publicação deverá acontecer próximo do final do primeiro trimestre de 2027.
O relatório preliminar, divulgado em outubro de 2025, já tinha identificado falhas e omissões relacionadas com a manutenção do ascensor, além de problemas ao nível da formação dos funcionários e da supervisão dos trabalhos realizados pela empresa prestadora de serviços. O próprio GPIAAF deixou, contudo, claro que essas conclusões eram preliminares e que seriam necessárias novas perícias antes de determinar as causas finais do acidente.
Em paralelo, continua a decorrer uma investigação do Ministério Público ao acidente.
O acidente aconteceu a 3 de setembro de 2025, quando uma das carruagens do Elevador da Glória descarrilou e embateu num edifício na Calçada da Glória. Morreram 16 pessoas, de várias nacionalidades.