José Sócrates explicou esta quinta-feira, em tribunal, os 7 mil euros que gastou numa loja de móveis em Paris, uma compra que o Ministério Público relaciona com o apartamento adquirido pelo seu amigo Carlos Santos Silva, também arguido no processo Operação Marquês.
O antigo primeiro-ministro garantiu, contudo, que os móveis não se destinavam ao apartamento comprado por Carlos Santos Silva.
Segundo o relato feito em tribunal, Sócrates foi acompanhado pela prima, Maria Filomena, a uma loja de móveis, tendo os dois dividido a despesa. A compra incluiu dois candeeiros e um pequeno sofá, enquanto Sócrates adquiriu ainda uma secretária.
“Comprámos dois candeeiros e um pequeno sofá. Comprei ainda uma secretária que ainda hoje tenho e de que gosto. Gastei sete mil euros”, afirmou.
Sócrates explicou que a compra se destinou a substituir objetos que, segundo disse, tinham ficado danificados durante a sua estadia no apartamento que tinha arrendado com a prima.
A explicação foi dada no âmbito do seu depoimento sobre o apartamento de Paris onde viveu e cuja aquisição pelo amigo é referida na acusação do Ministério Público.
“Não sou, nunca fui proprietário”José Sócrates rejeitou qualquer ligação à compra do imóvel e garantiu que não sabia sequer que Carlos Santos Silva pretendia comprar um apartamento em Paris.
“Não sou, nunca fui proprietário de nenhum apartamento em Paris”, afirmou, repetindo a frase perante o coletivo de juízes presidido por Susana Seca.
O antigo primeiro-ministro contou que só soube que o amigo tinha adquirido uma nova casa quando lhe disse que teria de deixar o apartamento que tinha arrendado com a prima.
Segundo Sócrates, Carlos Santos Silva respondeu que poderia ficar no novo apartamento até ao início das obras.
“O Carlos Santos Silva disse que podia ficar lá [no apartamento novo] até começarem as obras”, relatou.
Sócrates afirmou ainda que não participou na reunião em que foi assinado o contrato-promessa de compra e venda, nem esteve presente no dia da escritura.
Na acusação, o Ministério Público refere, contudo, que o antigo primeiro-ministro estava em Paris a 31 de agosto, data em que foi celebrada a escritura do apartamento, e que terá comprado vários móveis, alegadamente para equipar a habitação.