O baixo nível do rio Guadiana em Badajoz está a deixar à vista um problema que há anos ameaça o ecossistema: a proliferação do galápago-da-Flórida, uma espécie invasora que voltou a ser vista em grande número nas margens do rio.
Depois de vários anos de campanhas de captura, este ano não foram colocadas armadilhas no Guadiana para controlar a população destas tartarugas.
A razão está no fim do contrato que assegurava as operações de captura, que terminou em 2025 e ainda não foi renovado. Habitualmente, as campanhas decorriam durante a primavera, entre maio e junho.
A ausência de controlo surge depois de, ao longo dos últimos anos, terem sido capturados mais de 7.000 exemplares apenas no troço urbano do Guadiana, em Badajoz.
Só em 2025 foram instaladas 342 nasas (armadilhas), permitindo retirar do rio 830 galápagos-da-Flórida.
Uma espécie invasora que ameaça as tartarugas autóctonesO galápago-da-Flórida tornou-se popular como animal de estimação nas décadas de 1980 e 1990. Muitos exemplares acabaram, no entanto, por ser abandonados na natureza.
A espécie adaptou-se facilmente aos rios e zonas húmidas e representa uma ameaça para as tartarugas autóctones, nomeadamente o galápago-leproso e o galápago-europeu.
Além de competir por alimento e pelos locais mais favoráveis do rio, a sua rápida capacidade de adaptação e reprodução torna o controlo particularmente difícil.
Baixo nível do rio deixa o problema mais visívelO atual baixo nível do Guadiana tornou as tartarugas muito mais fáceis de observar, sobretudo nas zonas urbanas de Badajoz.
Para a associação Salvemos el Guadiana, este pode mesmo ser o momento ideal para retomar as capturas. A organização considera que não se deve esperar por uma nova campanha e defende a realização urgente de ações de controlo.
Pescadores também alertam para a presença crescente destes animais, que chegam a interferir com a pesca e são frequentemente vistos em zonas onde se concentram em grande número.
As capturas são normalmente feitas através da colocação de armadilhas no rio. As espécies autóctones que ficam presas são libertadas, enquanto os galápagos invasores são retirados.
Depois de anos de controlo e de milhares de exemplares capturados, a interrupção da campanha levanta agora receios de que a espécie volte a ganhar terreno no Guadiana.