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2023-10-23

«Temos de abater 30 mil javalis no Alentejo. A praga está por todo o lado»


O desafio é lançado pelo presidente da Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA, numa altura em que o Alentejo somará perto de 150 mil javalis distribuídos pelos distritos de Évora, Beja e Portalegre, segundo o Plano Estratégico e de Acção promovido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e elaborado por especialistas da Universidade de Aveiro. Jacinto Amaro justifica que se a região não abater, pelo menos, 20% dos animais «irá ter problemas ainda mais graves com acidentes rodoviários e prejuízos na agricultura»


TEXTO | Roberto Dores

   A colisão de uma ambulância com um javali à saída de Elvas para Portalegre foi apenas o mais recente acidente rodoviário na região a envolver um porco-selvagem. Não houve vítimas, mas os ocupantes não ganharam para o susto enquanto a ambulância  foi danificada.

   «Esse é o exemplo do javali que andava perto de Elvas, mas podia vir de outro lado qualquer. Eles andam uma média de 20 quilómetros por noite. A praga está por todo lado e eles são um perigo», diz Jacinto Amaro, para quem a única solução passa pelo abate dos animais durante todo o ano. 

   «Há alguma épocas em que outros animais venatórios e não só, estão na reprodução, o que limita o uso de cães, mas as esperas poderão prolongar-se o ano todo. Se não fazemos o controlo para reduzir uns 30 mil javalis no Alentejo vamos ter ainda mais  problemas», insiste o dirigente, solicitando aos caçadores que «em lugar de duas montarias façam três. Já era uma boa ajuda para combatermos esta praga», acrescenta.   

   Ainda durante o Verão a Vila de Santo André (Santiago do Cacém) também assistiu à destruição provocada por javalis. Os porcos selvagens começaram a cruzar-se com as pessoas à procura de comida e chegaram a temer-se possíveis ataques, com a entrada dos animais nos quintais dos moradores.
 
   A Anpromis - Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo - já tinha alertado para os prejuízos provocados por javalis na cultura do milho, que, só em 2022, atingiram os oito milhões de euros.  Segundo aquela estrutura, o «aumento descontrolado da população de javalis que se tem verificado nos últimos anos no nosso país, está a causar avultados e crescentes prejuízos no sector agrícola».

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