Portugal prepara-se para um dos fenómenos astronómicos mais aguardados dos próximos anos. O eclipse solar desta quarta-feira, 12 de agosto, será o primeiro de uma sequência excecional que voltará a acontecer em 2027 e 2028.
Mas para quem pretende acompanhar o fenómeno através do telemóvel ou de uma máquina fotográfica, há um alerta importante: não basta reduzir a exposição da câmara, usar óculos de sol ou improvisar uma proteção.
Segundo Santiago Gándara, astrónomo e membro da Sociedade Astronómica Asturiana Omega, qualquer equipamento utilizado para fotografar o Sol deve ter um filtro solar específico, certificado para observação solar e colocado à frente da objetiva.
O alerta é particularmente importante durante as fases parciais do eclipse, quando ainda existe luz solar direta.
“Independentemente de que haja ou não eclipse, sempre há que olhar para o Sol com proteção”, explicou o astrónomo no podcast Persona de interés.
Os filtros solares adequados são extremamente potentes. Através deles, o Sol pode ser observado de forma segura, mas a radiação que chega à ótica é suficientemente reduzida para evitar danos.
Há, no entanto, uma exceçãoDurante a fase de totalidade, quando a Lua cobre completamente o disco solar, a situação muda.
Nesse curto período, deixa de existir luz solar direta e é possível observar o chamado “Sol negro”, rodeado pela corona solar. Também poderão ser visíveis pequenas protuberâncias avermelhadas na superfície do astro, sobretudo numa altura em que o Sol apresenta elevada atividade.
É precisamente nesse momento que também será possível fotografar o fenómeno com um telemóvel sem o filtro solar, segundo o astrónomo.
No eclipse de 2026, a totalidade deverá durar cerca de um minuto e 45 segundos em determinadas zonas da faixa de totalidade.
Mas há uma regra fundamental: as proteções só devem ser retiradas depois de a totalidade começar completamente e devem ser colocadas novamente imediatamente antes de o Sol voltar a aparecer.
Assim que surgir novamente qualquer pequena parcela do disco solar, olhar ou fotografar diretamente sem proteção deixa de ser seguro.
Três eclipses em três anosO fenómeno desta quarta-feira será apenas o primeiro de uma sequência particularmente. Depois do eclipse de 12 de agosto de 2026, haverá um novo eclipse total em 2 de agosto de 2027 e um eclipse anular em 26 de janeiro de 2028.
A sucessão destes três fenómenos deverá transformar Portugal e Espanha num dos grandes destinos europeus para observadores do céu, fotógrafos e aficionados pela astronomia.